Compulsão pelo consumo explica número de inadimplentes

Texto e áudio: Lucas Ribeiro

 

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SPC registra que 30% da população têm restrição no nome (Crédito: Divulgação/EBC)

 

Os mais diversos estudos sobre o capitalismo, que se intensificou ao longo do século 20, mostram que os resultados alavancaram uma sociedade consumista, por meio das produções em massas. Assim, as políticas de desenvolvimento econômico e social são, também, pautadas pelo consumo: traz lucro ao comércio, gera mais emprego, aumenta a renda e, consequentemente, o consumo.

De acordo com os dados do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), atualmente o número de inadimplentes é de 63,4 milhões de brasileiros, correspondente a 30% da população. A faixa etária com o maior número de pessoas com o nome sujo na praça é de 30 a 39 anos, equivalente a 51% da população com essa idade. Já entre jovens de 18 a 24 anos, o porcentual cai para 20%. Para o bacharel em ciências econômicas Gabriel Felipe Facin, a sociedade do consumo engana as pessoas com a falsa ilusão do ter para ser e em contrapartida essas mesmas pessoas se perdem em sua realidade financeira.

 

 

G. A. (a pedido da entrevistada, foram utilizadas somente as iniciais do nome dela) tem 21 anos, é estudante de direito e faz parte dos 20% da população jovem com restrição no nome. Ela admite que perdeu o controle do cartão de crédito e que agora está com dificuldades para quitar o débito. “Comecei a trabalhar e resolvi pedir um cartão de crédito. O limite era alto, mas não imaginava que estouraria. Daí comprava uma coisa ali, outra coisa aqui, até que no ano seguinte, depois de pagar todos os meses o valor mínimo da fatura, já não tinha mais condições de pagar o valor total da fatura”, completou.

Ensinando a poupar

Leda Cristina Teodorico, 35, é mãe de João Gabriel Teodorico Reis, 14, e passou a ensinar o filho a poupar a mesada que ele recebe desde os 10. Para ela, João precisa ser consciente na hora de gastar. “Sempre falei para ele que é bom guardar dinheiro para uma necessidade, ainda que ele não precise arcar com as despesas da casa. É importante que ele tenha consciência que não é preciso comprar tudo o que vê pela frente”, disse Leda. João não revelou o quanto costuma guardar da mesada, mas afirmou que a principal tentação para gastar o dinheiro que ganha é em jogos de videogame.

A pedagoga Eloá Kastelic afirmou que de forma geral as escolas não abordam a temática da educação financeira, mas explicou que, se tratado, deve-se recorrer a um ensino lúdico às crianças e aos jovens a partir de uma perspectiva emancipadora.

 

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