Teia construída coletivamente convida para experiência com arte

Texto, fotos e áudio: João Renato F. da Silva

 

Desde 2016, a artista londrinense Ana Salai usa o mesmo objeto como tema central de suas obras. É uma grande teia, formada por materiais como tecidos, barbantes, papéis, plantas e temperos, construída coletivamente por quem participa de encontros e oficinas com a artista. Ao fim de cada encontro, a teia é desmontada e guardada, até ser instalada novamente em outro espaço e receber contribuições de um novo público.

“Não posso fazê-la sozinha, ela não cresce sozinha. Precisa necessariamente desse pretexto de encontro”, explica a artista, que também é professora de arte e sociologia. Por depender diretamente da interação com o público e das relações criadas entre o objeto e os participantes, a teia pode ser vista como uma obra de arte relacional.

 

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Passagem da instalação itinerante pela vila cultural Flapt!, na zona norte de Londrina

 

O conceito de estética relacional foi cunhado pelo teórico francês Nicolas Bourriaud nos anos 1990. Ele se referia a novos processos de criação artística ocorridos na arte contemporânea europeia daquele período. Mas, no Brasil, obras que envolviam a participação de outros sujeitos, além dos artistas, tornaram-se referência muito tempo antes, já na década de 1960, por meio de nomes como Hélio Oiticica e Lygia Clark. Os artistas brasileiros não foram considerados no estudo de Bourriaud, mas se tornaram as principais referências de Ana Salai.

A teia surgiu há dois anos, quando Salai estava no último ano da graduação em artes visuais, em uma oficina ministrada para professoras. “Decidimos, em coletivo, que o resultado da oficina deveria ser uma exposição que ligasse todas as participantes”, conta. A rede foi sendo aumentada em vários encontros promovidos pela artista até chegar ao projeto “Tecituras de Nós”, que levará a instalação para seis espaços culturais de Londrina até dezembro.

 

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Instalação idealizada pela artista Ana Salai vem sendo construída desde 2016

 

Em cada lugar, como nos projetos anteriores, a teia será montada e desmontada no mesmo dia. Além de contribuir para a expansão da obra, os participantes terão discussões sobre sensibilidade, potência artística e o conceito de arte contemporânea. “A proposta da arte relacional e do ‘Tecituras de Nós’ são as tecituras sociais entre narrativas e memórias dos sujeitos. É essa produção que a gente chama de arte. A materialidade dela está na tecitura, que eu carrego, levo, e que de alguma maneira conecta todos. Mas o processo é que é importante para os envolvidos.”

 

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A teia é formada por materiais como TNT, tecidos, barbantes, papéis e plantas

 

O encontro inaugural do projeto ocorreu na vila cultural Flapt!, na zona norte de Londrina. O espaço tem um público fixo de pessoas que participam de diversas atividades formativas e eventos promovidos lá. “Por mais que a gente também faça arte, a gente também entra em uma zona de conforto”, contou a professora de teatro Vanessa Nakadomari, que coordena a vila cultural. “[É importante] poder ter, aqui, artistas que não fazem parte da nossa rotina, que nos tiram do nosso chão cotidiano.”

O áudio a seguir apresenta trechos da roda de conversa entre os participantes da primeira instalação do projeto, que discutiram o conceito de arte e arte contemporânea.

 

 

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