Educação racial: luta contra o preconceito e desigualdades

Texto, foto e áudio: Adrian Gustavo

 

Em 2004, foi promulgada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a lei 10.639, que define a obrigatoriedade do ensino de história e cultura da África e dos afrodescendentes no sistema de ensino brasileiro. A lei alterou as diretrizes de base da educação nacional introduzindo esses conteúdos.

Nessas diretrizes constam propostas pedagógicas para a implementação e abordagem desses temas em sala de aula. De acordo com a legislação, esses estudos devem ser pensados em todas as esferas do conhecimento, em especial nos aspectos históricos, espaciais, geográficos e também sociológicos.

O principal objetivo desse trabalho é o combate ao racismo e a promoção da diversidade dentro da escola. De acordo com a professora Maria Nilza da Silva, diretora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Estadual de Londrina (Neab-UEL), “a educação brasileira não dá a devida importância ao negro no país, pois estamos acostumados com uma visão eurocêntrica que privilegia e valoriza somente as ações do colonizador”.

 

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Professora Maria Nilza do Departamento de Ciências Sociais da UEL e diretora do Neab-UEL

 

A professora também enfatiza que, para que a aplicação desses conteúdos, deve-se partir da realidade local dos estudantes. “É preciso compreender a realidade socioeconômica dos estudantes para que possamos entender quais são suas necessidades e assim adaptar o conteúdo. Deste modo garantimos o diálogo com os estudantes e maior efetividade das aulas.”

Para Maria Nilza também é importante destacar que um dos maiores desafios à implantação plena da lei 10.639 é a falta de preparo dos estudantes dos cursos de graduação, principalmente os de licenciatura, acerca da história dos afrodescendentes.

“A maior parte dos cursos não possui estes conteúdos em seu programa, de modo que, uma vez que o estudante se forma e se torna professor, ele não tem base para abordar o conteúdo. Isso gera efeito cascata, pois faz com que os alunos saiam do ensino básico sem conhecer a história dos negros. Em parceria com órgãos do poder público, o Neab-UEL oferece cursos de formação continuada de professores a partir das diretrizes de conteúdo da lei 10.639 para tentar reverter esse quadro.” No áudio a seguir a professora comenta sobre as atividades desenvolvidas pelo Neab-UEL no combate ao racismo.

 

 

O estudante negro Luiz Gabriel Ferreira conta que, durante seu ensino médio, não passou por aulas de educação racial, o que ele sente que faz muita falta. “A falta desse conteúdo faz com que a gente não conheça a própria história e não saiba como reagir diante da injustiça.”

 

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