No Paraná, indígenas têm acesso às universidades desde 2002

Texto, fotos e áudio: Lucas Ribeiro

 

Em 2001, com a Lei Estadual 13.134, a Seti (Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, e Ensino Superior) criou o Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná. O Paraná se tornou, assim, o primeiro estado a adotar uma política afirmativa de inclusão dos povos indígenas no ensino superior. Os primeiros estudantes entraram nas universidades em 2002.

O vestibular próprio dos povos indígenas garantia três vagas suplementares em cada universidade do estado, ou seja, além da quantidade de vagas ofertadas pelas instituições, outras três eram reservadas para indígenas. Atualmente, o número subiu para sete vagas por universidade estadual, e neste ano a UFPR (Universidade Federal do Paraná) abriu dez vagas, totalizando 52 novos estudantes indígenas para o ano de 2019.

Mas, além de incluir, é preciso ter meios para a permanência. Por conta disso, foram criadas comissões em cada universidade para acompanhar os estudantes indígenas. A Cuia (Comissão Universidade para os Índios) é o órgão responsável para amparar os estudantes indígenas. Na UEL (Universidade Estadual de Londrina), a Cuia adotou, em 2014, uma medida mais emancipadora para os estudantes: um ano de preparação e amadurecimento acadêmico antes da escolha do curso. O Ciclo (Ciclo Intercultural de Iniciação Acadêmica) tem o objetivo de preparar o indígena para a vida universitária, visto que até 2013 o número de evasão desses estudantes era de 44%.

“O Ciclo é uma tentativa que fizemos para reduzir a evasão e qualificar a permanência desses estudantes na universidade, amadurecendo a vivência na universidade e a escolha do curso”, disse Wagner Roberto do Amaral, coordenador do Ciclo. “O Ciclo serve também para abrir a universidade a um diálogo intercultural, com pessoas de diferentes realidades sociais e culturais”, completou.

 

estudantes

Estudantes indígenas durante atividade no Ciclo Intercultural de Iniciação Acadêmica

 

Guel Rael é indígena da etnia caingangue e é um dos sete aprovados no Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná que entraram este ano na UEL. Ele ainda está terminando a etapa do Ciclo e já decidiu que no próximo ano vai cursar artes visuais para ser professor na escola indígena do Apucaraninha, aldeia indígena onde mora a 80 km de Londrina.

 

 

Guel Rael

Guel Rael, estudante indígena do Ciclo, pretende cursar artes visuais na UEL

 

Atualmente, a UEL tem 39 estudantes indígenas matriculados em cursos de graduação. Até 2017, 13 estudantes indígenas se formaram na instituição.

 

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