Artistas e produtores temem desmonte cultural em novo governo

Texto, foto e áudios: Fernando Buchhorn Jr.

 

O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), tem demonstrado que o futuro governo sob seu comando será permeado pelas mesmas polêmicas de sua campanha eleitoral. Representante de uma direita devota e conservadora, Bolsonaro desperta medo e fúria naqueles que enxergam seu mandato como uma ameaça ao meio ambiente, à educação, aos direitos do trabalho e à cultura no país.

Logo após a vitória, o capitão reformado do Exército tem cumprido a promessa de reduzir o número de ministérios, fazendo-o por meio da extinção ou da anexação de algumas pastas a outras, criando os chamados superministérios. Não sem antes recuar de algumas medidas logo após sinalizá-las, usando a opinião pública como termômetro.

Em meio a esse imbróglio, o futuro presidente estuda também a fusão das pastas de Educação, de Cultura e de Esporte. Essa possível medida gera desconforto em artistas e produtores culturais, que temem que a pasta seja ainda mais negligenciada.

 

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Teatro Ouro Verde, um dos principais palcos culturais de Londrina

 

O professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Kennedy Piau, experiente na área de política cultural com ênfase em políticas públicas, enxerga com maus olhos a possível fusão. Piau é membro da diretoria da Funcart (Fundação Cultura Artística de Londrina) e acredita que a medida é um retrocesso.

Segundo o professor, o Sistema Nacional de Cultura (SNC), discutido e firmado legalmente, estabelece que os municípios e os estados tenham conselhos de cultura, recursos para a viabilização de projetos e órgãos específicos para tratarem da pasta. Não sendo coerente, portanto, que a União “abra mão” desse mesmo órgão que organiza todas as demais instâncias em nível federal. Extinção que provocaria um exponencial desmonte das políticas culturais no Brasil.

 

 

Para Piau, o perfil histórico de Bolsonaro não deixa esconder o provável enfraquecimento de toda iniciativa que estimule o pensamento crítico e a pluralidade no país.

 

 

Jota Dias, artista de rua, fotógrafo, cinegrafista e produtor cultural, tem a mesma visão negativa a respeito de uma possível fusão do Ministério da Cultura. Dias afirma que, embora seja cedo para fazer uma avaliação consciente, a projeção desse cenário gera inquietação nos profissionais da área.

 

 

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