Trajetórias femininas pelo orgasmo: a masturbação

Texto e áudios: Bárbara Borowski

 

Muitas mulheres não costumam sentir prazer sexual, menos ainda se são heterossexuais. Pesquisas mostram abismos numéricos: segundo a Universidade de São Paulo (USP), 40% das mulheres se masturbam cotidianamente, contra 82% dos homens (sem constar orientação sexual ou identidade de gênero); já de acordo com uma investigação de universidades estadunidenses, mulheres heterossexuais chegam ao orgasmo em 65% das relações, contra 95% das de homens heterossexuais, 89% de gays, 86% de lésbicas e 66% de mulheres bissexuais. Este ano, o PRETEXTO abordou algumas das variantes sobre masturbação e sexualidade. Na tentativa de ampliar o debate, neste texto serão trazidos relatos pessoais.

O primeiro é de Fernanda Pessoa, 42. Proibição foi o contato inicial com sua vulva e qualquer coisa a ela relacionada, o que se justifica pela conversão evangélica ainda adolescente. Seu segundo marido era transsexual, com ele teve a relação mais duradoura, somando um total de 15 anos. Depois do divórcio, Fernanda diz estar passando por uma fase de descobrimentos nunca antes possível, devido aos parceiros e à falta anterior de autoconsciência. Ela continua sentindo culpa ao se masturbar.

 

 

Ana Amadeu, 22, também não recebeu educação sexual em casa. Mas muito jovem, aos 12 anos, teve uma amiga que a influenciou a buscar a liberdade de seu corpo, justamente no mesmo período em que Fernanda passou a ser evangélica. Agora Ana diz que a autoestimulação é conversa comum entre seu círculo atual, mas nota que muitas mulheres abertas à temática passam longe de mencionar a masturbação.

 

 

Ao contrário das outras duas entrevistadas, Kimberly Nobille, 20, teve o impulso de se conhecer vindo de casa. Ainda assim, não diretamente. Ela afirma que a educação libertária de sua mãe a estimulou a dominar o próprio corpo, porém não foi um tema realmente explorado entre as duas. Kimberly também relata a igreja como fator de conflito entre ela e sua sexualidade, e defende o esclarecimento nas escolas para transformar dados como os das pesquisas citadas.

 

 

Foto de Bárbara

Kimberly Nobille espalha gravuras de clitóris por Londrina, com representação completa do órgão interno (Crédito: Kimberly Nobille)

 

Mas, afinal, o que seria o feminino? Simples estimulação clitoriana? Não para Linaê Mello, 19, que entende identidade sexual de maneira não-binária, ou seja, para além dos termos mulher e homem. Ao PRETEXTO, Linaê também questiona o que pode ser considerado masturbação, para além de termos de prazer genital.

 

 

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