Exposição artística exibe rosto negro londrinense

Texto, foto, áudio e vídeo: Ana Carla Dias

 

IMG_4474

Marcos Costa, 56, em sua exposição “O Grito Negro Londrinense”

 

Foi pensando nos rostos que no passado não tinham identidade que Marcos Costa, 56, planejou sua exposição fotográfica para falar sobre os 130 anos da abolição da escravatura brasileira no Centro Cultural do Sesi de Londrina.

Professor de artes, produtor cultural e também fotógrafo, Costa dividiu sua exposição em duas partes: uma dedicada a fotos e ilustrações históricas de negros no período da escravidão e outra com suas produções fotográficas atuais, nas quais os rostos de negros são expostos com informações descritivas de suas profissões e graduações universitárias. Uma forma de dizer que atualmente o negro também pode sonhar com um futuro, independentemente do pesadelo que o persegue vindo do passado.

 

 

Durante a produção das fotografias, o Facebook contribuiu para encontrar rostos negros na comunidade londrinense. Mas Marcos também aproveitou suas participações em eventos do Neab (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros) situado na UEL (Universidade Estadual de Londrina) para incluir amigos em sua exposição.

A exposição é voltada para o público jovem que já está dentro ou pensando em ingressar na universidade. O objetivo é estimular uma reflexão sobre o fim do tempo de anonimato e a conquista de oportunidades ao verem as fotos de diversos negros em suas respectivas ocupações. Cláudia Santos, 34, acredita que essas exposições deveriam ocorrer com mais frequência na cidade, pois, segundo ela, ultimamente estamos esquecendo a nossa história: “A gente ainda não aprendeu. E a coisa está ficando pior. Existe um governo vindo aí, que, aparentemente, vai fazer questão de ensinar novamente de forma mais errada ainda”.

 

 

Para a exposição, Marcos comentou que as leituras feitas sobre momentos históricos vividos pelos negros o ajudaram a dar o clique na hora da foto. O grito londrinense vem também de sua vivência na cidade e ele quis expor em forma de arte. “Para você ter uma ideia, quando entrei na UEL fazia parte de 2% da população negra brasileira que estava dentro da universidade pública. Dois porcento são nada. Então a partir de uma conferência em Durban, África do Sul, iniciou-se uma série de compromissos que os governos passaram a cumprir, mesmo que de forma tímida. A Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas, também ajudou. Estamos em 2018, essa lei é de 2003. No Brasil é tudo muito lento. Portanto, ao chegar um governo que promove um retrocesso é preocupante. Nós demoramos muito para avançar um pouquinho. Um passo para trás pode vir a ser mais dez anos pra gente caminhar pra frente de novo.”

 

LEIA MAIS

UEL oferece cursinho pré-vestibular de graça

Programa de rádio dá voz a vivências trans e travestis

Onde estão os professores negros nas universidades?

Lugar de mulher é em qualquer lugar, inclusive no futebol

Estudantes cegos se esforçam para acompanhar as aulas usando o braile

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s