A arte como ferramenta de luta pela igualdade

Texto e fotos: João Renato F. da Silva

 

O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão. Centro e trinta anos depois, desigualdades decorrentes do preconceito racial ainda estão presentes. O PRETEXTO perguntou a dois artistas londrinenses como a arte pode ser um caminho para combater o racismo.

“Todas as linguagens são válidas e essenciais para mudar esse pensamento, essa ideologia racista que ainda existe na sociedade”, opina o artista Marcos Costa. Ele assina a exposição “130 anos da abolição da escravatura: O Grito Negro Londrinense”, em cartaz no Centro Cultural Sesi/AML até 10 de dezembro. Inspirado no quadro “O Grito”, de Edvard Munch, Marcos fotografou cerca de 70 homens e mulheres negros de Londrina em um simbólico grito imperativo contra o racismo.

 

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A exposição “O Grito Negro Londrinense” brada contra o racismo

 

A exposição também mostra pessoas negras fotografadas no final do século 19. Estas, explicou o artista, que pesquisa a representação imagética do negro há 15 anos, são tipos desprovidos de identidade. Por isso, Marcos criou para cada imagem uma biografia que poderia ser verdadeira, mas foi negada pelo racismo.

Em 2019, a exposição vai passar por escolas de ensino médio de Londrina. “A ideia”, conta Marcos, “é que o jovem negro da escola pública perceba que existem possibilidades, oportunidades a serem exploradas, que ele pode ocupar uma vaga na universidade e um papel de destaque na sociedade.”

A representatividade também é um caminho observado por Raphael Menten, gestor de um ateliê de gravura voltado à preservação da obra de seu avô, o artista Paulo Menten. “[A arte] é uma linguagem que tem uma força muito grande, ainda mais na sociedade em que a gente vive, que é completamente imagética. Quando você representa aquilo que sente, é a representatividade do seu olhar e, às vezes, também de um grupo.”

Este ano, Raphael foi o curador da 33ª Mostra Afro-Brasileira Palmares, exposição londrinense voltada à promoção da igualdade racial, que fica no Museu de Arte de Londrina até 31 de dezembro. As obras vão de nomes de peso, como o baiano Waldomiro de Deus, a artistas que ainda estão na universidade, passando inclusive por produções do próprio Raphael, que também “se arrisca” na arte, segundo ele.

“Tem um artista órfão, que foi adotado e descobriu isso só aos 20 anos. As obras mostram o impacto disso na vida dele. Outros representam as religiosidades de matriz afro, o que vejo como um ato de pura resistência”, conta Raphael. “Acho que a arte seria isso. Essa representatividade do eu e do grupo sobre as questões étnico-raciais.”

 

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Obra “Ori cabeça em Yorubá”, da artista LIA, na 33ª Mostra Afro-Brasileira Palmares

 

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