Precisamos discutir educação sexual na infância e na adolescência

Texto, fotos e áudios: César H.S. Rezende

 

Claudia Gonçalves é casada, mãe e comerciante. Quando questionada sobre o ensino de educação sexual na escola, é taxativa: “Parem de sexualizar nossas crianças”. Para Claudia, o assunto deve ser tratado “em casa, com a família, afinal, esse é o papel do lar, do seio familiar”.

O tabu acerca da sexualidade é grande e tem sido desafiador tratar o tema em sala de aula. “A resistência em falar está relacionada, num primeiro momento, à repressão sexual que cada um recebeu ao longo de sua vida, entretanto, ao invés de se informar e querer se libertar dessas repressões, insiste-se em dar sequência nelas”, desabafa o professor em educação sexual Ricardo Desidério. Ainda segundo ele, “a educação sexual é uma ação planejada, sistemática e contínua. Nela está inserida o trabalho com valores, o conhecimento do corpo, o respeito a si e ao próximo”.

Mariana Braga, psicóloga e representante em educação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), diz que a família brasileira fala a respeito do tema, entretanto, ele é cercado de preconceitos. Ela ainda ressalta que a Unesco está ciente das dificuldades de se falar do assunto e, dessa forma, disponibiliza materiais didáticos e gratuitos para auxiliar o professor.

 

Foto 01 - Material disponibizado pela Unesco para o debate acerca de educação sexual na escola

Material disponibilizado pela Unesco para o debate sobre educação sexual na escola

 

Felipe Tsuzuki é estudante de ciências biológicas na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e faz parte de um projeto de extensão em educação para a sexualidade. De acordo com ele, o objetivo é ajudar na formação de alunos e professores que trabalham com o tema.

 

 

Foto 02 - A literatura sobre o tema é vasta e pode ajudar na compreensão dos alunos

A literatura sobre o tema é vasta e pode ajudar na compreensão dos alunos

 

Ainda segundo o estudante, falar em sexualidade consiste em tratar de vários assuntos da vida cotidiana.

 

 

As consequências da falta de diálogo sobre educação sexual podem ser preocupantes já que, em certa medida, aumenta a desinformação.  Além disso, projetos como Escola Sem Partido podem ser um entrave para o debate a respeito da sexualidade na escola, conforme ressalta Tsuzuki.

 

 

Para o professor Desidério, não debater sexualidade implica em vulnerabilidades em relação às crianças e adolescentes. “Eles se tornam vulneráveis ao abuso sexual, uma vez que não foi ensinado como se prevenir. Além disso, o não falar sobre sexo pode torná-los também vulneráveis às ISTs [Infecções Sexualmente Transmissíveis], entre outras coisas. É um trabalho que deve nos levar a pensar na construção de um sujeito ativo frente às informações, que possa dialogar, expressar suas opiniões, percebendo a sexualidade como algo positivo, sem medos, tabus e/ou receios.”

 

Foto 03 - Ensinar educação sexual é questão de cidadania

Ensinar educação sexual é questão de cidadania

 

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