Performáticas, drag queens são forma de arte e resistência

Texto e áudios: Mariana Sanches

 

 

Maquiagens exageradas, salto alto, roupas escandalosas e performances que envolvem música, atuação, dança e comédia. Estas são as principais características da arte drag queen. O surgimento dessa expressão artística atrelada à cultura LGBT teve início nos anos 1930, nos Estados Unidos, quando bares da comunidade passaram a ser locais de encontro para performances de drags como forma de entretenimento. Outro exemplo marcante foram as drags do movimento Club Kids, que agitaram Nova York nos anos 1990 com uma moda extravagante e totalmente fora dos padrões de gênero.

Thiago Henrique Nicolino sempre gostou de brincar de shows. Quando criança, ele usava panos para simular roupas e cabelos das suas cantoras preferidas. Mais tarde, aos 13 anos, ele começou a se montar para fazer trabalhos da escola. Uma das suas primeiras personagens foi a cantora brasileira Carmen Miranda. Hoje, aos 20 anos, Thiago transformou o que era apenas uma brincadeira de infância em trabalho artístico: estudante de artes cênicas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Thiago é uma drags popular na cidade, a Ariel Trippy.

Para Thiago, a arte drag é um símbolo de resistência e luta, pois ultrapassa os estereótipos de feminino. “A drag é muito além disso: é o trejeito, é a roupa. Muito exagero em tudo aquilo que a sociedade tenta esconder. Por exemplo, se você não pode usar uma maquiagem tão forte, a drag, então, usa uma maquiagem fortíssima, tudo bem marcado. Roupa também, muito tecido e muita joia. É um quadro em branco e você pode ser quem você quiser.”

Apesar de todo o preconceito que ainda há em relação às drag queens, Thiago acredita que isso tem mudado com a inserção da arte no meio cultural do país.

 

 

Thiago Henrique (Créditos Mariana Sanches)

Thiago é estudante de artes cênicas na UEL (Crédito: Mariana Sanches)

 

Ariel 1 (Créditos Natália Perezin)

Ariel 2 (Créditos Natália Perezin)

A drag Ariel Trippy é uma das figuras das festas alternativas de Londrina (Créditos: Natália Perezin) 

 

Formado em publicidade e propaganda, Joenes Veloso, 22, faz drag há três anos. Assim como Thiago, o publicitário começou a se montar como uma forma de brincar. Ele relembra que no começo tinha receios de se vestir como drag fora de casa. Porém, após receber incentivos de conhecidos e amigos, ele resolveu investir e aperfeiçoar a sua drag, a Jojo Kendals. “Ela é como uma fênix, que fica adormecida dentro de mim e quando vem para fora mostra todo o seu poder. Eu vejo que ela cativa muito as pessoas que estão por perto. Rola um amor por ela. A Jojo também traz a voz para muito gente que gostaria de falar alguma coisa ou de ser representada.”

 

 

Joenes Veloso (Créditos Mariana Sanches)

Joenes faz drags há três anos (Crédito: Mariana Sanches)

 

Jojo 1 (Créditos Fer Stein)

Jojo 2 (Créditos Fer Stein)

Joenes como a drag Jojo Kendals em ensaios fotográficos (Créditos: Fer Stein)

 

Instagrans

Joenes

Thiago Henrique

 

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