Preconceito inibe homens a realizar exame de próstata

Texto, foto e áudios: César H.S. Rezende

 

Segundo dados publicados em 2015 pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o câncer de próstata é o segundo tipo com maior prevalência no país, perdendo apenas para o câncer de pele. Ainda segundo a pesquisa, 51% dos homens nunca consultaram um urologista.

Paulo Alexandrino é urologista há mais de 30 anos e, neste tempo no qual exerce a profissão, relata que o exame de próstata continua sendo um folclore. Para o médico, todo esse tabu está atrelado a uma das formas do exame, o toque retal, que consiste em uma avaliação da próstata através do ânus. Dessa forma, o estigma da masculinidade contribui para o aumento da desinformação e preconceito em relação ao tema. Ele ainda ressalta que, através do exame, outras doenças de próstata podem ser detectadas precocemente, como é o caso da hiperplasia prostática benigna – quando ocorre o aumento do volume da próstata.

 

 

Foto 01 - Tabu

O tabu em relação à masculinidade é um fator que desestimula o exame de próstata

 

Há outros tipos de exame, como o Antígeno Prostático Específico (PSA), que é laboratorial. Contudo, o urologista afirma que o exame de toque ainda é o mais eficiente. A idade mínima indicada para a realização dos exames é de 50 anos, sendo que, em casos de pacientes de pele negra, obesos e com histórico familiar, é recomendável que seja realizado a partir dos 45 anos. Neste caso, a avaliação é feita pelo especialista levando em conta a junção do exame físico (toque retal) com a análise de dosagem do nível de PSA.

 

 

Sérgio Vitiello tem 45 anos e é advogado. Ciente da importância do exame, ele já realizou o PSA, mas é taxativo quando indagado sobre o toque retal. “Ainda não fiz porque não tenho histórico na família e na minha idade o mais ideal é o PSA. Mas, quando chegar a hora de fazer, não terei problema algum em relação a isso. A saúde deve vir antes de qualquer preconceito bobo.”

Alexandrino ressalta que o machismo ainda intimida os homens a fazerem o exame. “Eles não gostam das brincadeiras em relação ao assunto. Aliado a isso, há a timidez e, dessa forma, muitos não fazem. Mas por se tratar de algo sério, acho que aos poucos isso vai ficando no passado e sendo mais uma anedota, uma brincadeira.”

 

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