Amor fúnebre: saiba mais sobre a romantização da morte no cinema

Texto, foto e áudio: Heloisa Keiko

 

Entre os muitos temas frequentemente abordados no cinema, a morte certamente está entre os principais. Desde os clássicos filmes de terror, que abordam o fim da vida para promover o medo, até obras românticas, que se utilizam da morte como ferramenta para comover o público, o tema está presente nas telonas das mais diversas formas possíveis. Mas qual o motivo para tamanho interesse em algo tão natural e comum na vida do ser humano?

Segundo o produtor audiovisual Luciano Pascoal, desde que o cinema surgiu, a morte faz parte desse cenário. Para ele, no entanto, ela é trazida nas telonas de forma romantizada. “O fato de levar a morte para dentro do cinema já é uma romantização. Você está tratando um assunto tabu em uma linguagem cinematográfica. Existe ainda a romantização de transformar a morte em algo mais palatável, menos traumático, tratando a morte com mais glamour.”

 

Foto Luciano

Entusiasta de filmes de terror, Luciano Pascoal acredita que a morte pode ser retratada no cinema como a “sublimação da realidade”

 

Para Pascoal, é muito particular do cineasta a forma como a morte é abordada nos filmes. Em “Nosferatu”, filme de Friederich Murnau, por exemplo, o tema é trazido por meio de referências ao expressionismo alemão. Já em “Festim Diabólico”, dirigido por Alfred Hitchcock, a morte é tratada de forma subjetiva, em que as cenas sugerem que houve um assassinato.

 

 

Já Bruno Lorensato, empresário no ramo de educação audiovisual, acredita que a morte é um assunto frequentemente abordado no cinema devido à atração que se tem pela vida. “Achamos a vida extremamente atraente, então vivemos para evitar a morte. Ao falar da morte, falamos de algo ‘proibido’ e, por isso, é algo de que vale a pena falar.” Para ele, a romantização da morte nas telonas está atrelada ao misticismo e à crença na vida após a morte. “Há uma esperança de que a vida continua depois que morremos. O cinema se apropria dessa ideia e acaba atrelando a ela um significado de continuidade da vida. Faz parecer que a morte é só um passo e que a vida da pessoa é eternizada, seja com uma homenagem no nome dela ou na lembrança de quem fica.”

Diferentemente de Pascoal, Lorensato prefere filmes que retratem a morte de forma mais objetiva. Para o empresário, os filmes “O Que Nós Fizemos no Nosso Feriado”, dirigido por Guy Jenkin e Andy Hamilton, e “Queime Depois de Ler”, dos diretores Ethan e Joel Coen, são os que melhor retratam a morte. “Geralmente, os filmes trazem a morte atrelada à tristeza. Mas, para mim, a melhor maneira de mostrá-la é de forma banal e fútil, inesperada e sem previsão.”

 

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