Especialistas debatem presença da PM em universidades

Texto, foto e áudios: Leonardo Pedroso

 

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Falta de preparo das instituições e cobrança por maior investimento na segurança interna são questões controversas

 

Roubo, furto, violência física e verbal, assédio sexual e estupro são crimes constantes em todas as cidades do Brasil. Nas universidades, internamente ou nos arredores, estes crimes também acontecem, aumentando a sensação de insegurança por parte de alunos e servidores. Fatores que, quando combinados, levantam o debate: para melhorar a segurança, a Polícia Militar (PM) deve estar constantemente presente nos campi? Especialistas no assunto divergem.

A integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Haydée Glória Cruz Caruso, adota uma postura aberta ao diálogo entre as universidades e órgãos de segurança como a PM. Segundo a professora, os campi universitários apresentam fatores propícios para a ocorrência de crimes, e afirma que uma ação integrada pode ser a solução para os desafios. “As ocorrências são graves e nos obrigam a pensar em novas estratégias de articulação.”

 

 

Os estudos da pesquisadora apontam que a vigilância interna das universidades não é eficaz para os problemas enfrentados. “A vigilância tem um papel fundamental, mas muitas vezes o olhar está voltado para a proteção de equipamentos, não das pessoas”, completa. Portanto, a pesquisadora defende a integração entre universidade e PM. “Não há como abrir mão do poder que a polícia tem, que é de produzir e promover a ordem pública.”

 

 

Na contramão de uma postura positivista em relação à PM, o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Governança da Segurança (Legs) da universidade, Cleber da Silva Lopes, afirma que a presença de órgãos de segurança externos no campus da UEL não é necessária, devido ao baixo número de ocorrências registradas na Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e na Divisão de Segurança da UEL. “Pelos registros, podemos dizer que a universidade é um espaço relativamente seguro. Os crimes existem, mas é necessário analisar os dados de acordo com um contexto amplo da violência”, relata.

 

 

Lopes chama a atenção para um padrão frequentemente adotado, que associa o medo da desordem às forças do Estado como a polícia. No entanto, o professor acredita que este não deve ser o caminho adotado pelas universidades. “Os problemas não necessariamente precisam ser resolvidos pela polícia. As instituições, sobretudo a UEL, têm recursos e capacidades necessários para encaminhar soluções para os problemas enfrentados.”

 

 

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