Sinal verde para a legalização da maconha?

Texto e fotos: Mariana Lo Turco

 

Marijuana. Erva. Beck. Ganja. Todos esses nomes representam a Cannabis, mais conhecida como maconha. Consumida desde o terceiro milênio a.C, a planta levanta tabus até hoje na sociedade. Um dos principais debates traçados é a legalização para uso recreativo ou medicinal.

Mesmo sendo um assunto polêmico, o analista de gestão em saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) André de Oliveira Kiepper alcançou 20 mil assinaturas a favor de regulamentar o uso recreativo, industrial e medicinal da maconha. Com esta quantidade de assinaturas, a SUG 8/2014 passou a tramitar na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, sendo o relator atual o senador Cristovam Buarque (PPS/DF).

Em entrevista ao PRETEXTO, Kiepper, apesar de reconhecer que os países vizinhos têm uma legislação mais avançada, afirma que “o Brasil, por sua dimensão e população, continuará, evidentemente, em sua posição de forte mercado produtor e consumidor da região”.

 

Foto 1

A planta Cannabis é consumida há milhares de anos

 

Na avaliação do cientista político Sérgio Vidal, que também é autor do livro “Cannabis Medicinal: introdução ao cultivo indoor”, a regulamentação seria positiva. Para Vidal, a legalização permitiria pesquisas sobre os diversos princípios ativos presentes na planta e contribuiria com o tratamento de pessoas que sofrem de esclerose múltipla, epilepsia e dores crônicas.

Alguns argumentos contra a regulamentação são sobre o prejuízo da maconha à saúde. O professor emérito de medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) Donald Tashkin declara no documentário “Cultura Chapada” que, “se você fuma mais de dois maços por dia [cigarro], o risco de desenvolver câncer no pulmão aumenta 20 vezes. Com base no maior estudo de caso que já foi feito, não há evidências que a maconha aumente o risco de câncer de pulmão”.

Sérgio Vidal reforça que a proibição é mais danosa que o próprio uso da droga. “O consumo da maconha é o menor risco num local onde a maconha é ilegal: o indivíduo, para consumir, tem contato com o crime, tem o risco de ser confundido com um criminoso, fora a exposição e o preconceito”. Sendo assim, para o escritor, o impacto da maconha, se esta fosse legalizada no país, seria a diminuição da violência relacionada ao uso e ao comércio.

 

Foto 2

A maconha in natura pode custar, no Brasil, R$ 80 a grama

 

Além do analista e do cientista político, o músico e produtor musical R.A.P. (iniciais do nome do entrevistado) é a favor da regulamentação da maconha. Por ter morado no Canadá, já fez uso da planta e relata que a maconha comercializada no país norte-americano tem qualidade superior à encontrada no Brasil. Por ser um país onde a maconha é descriminalizada, o assunto não é tão tabu. “Usar a maconha na rua é tolerado; os policiais até perguntam se você está bem e se tem condições de dirigir para casa.”

Sérgio Vidal afirma que “precisamos regulamentar urgentemente a maconha para poder diminuir a violência, tirar o poder do crime e da corrupção presente na polícia”. Avanços pequenos foram feitos em relação à regulamentação da maconha no Brasil, porém, o assunto diverge opiniões e ainda mantém a polêmica acesa.

 

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