“¿Hablas español?”: um idioma igual ao português?

Texto, foto e áudios: Marcelo Silva

 

“Espanhol é fácil. É só falar português enrolando a língua.” Apesar de repetido à exaustão, esse pensamento logo é posto à prova em viagens e situações de comunicação com falantes nativos do espanhol. A cena, presenciada pela reportagem, de uma turista brasileira gritando com a funcionária de uma loja de câmbio em Santiago, capital do Chile, na tentativa de fazê-la entender o que significa a palavra “troco” (“cambio”, no idioma materno dos chilenos) é um retrato de como as duas línguas apresentam diferenças.

 

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Com a reforma do ensino médio, ensino de espanhol deixa de ser obrigatório no Brasil

 

“O brasileiro acha que tem uma capacidade nata para falar espanhol”, afirma Jefferson Januário dos Santos, doutor em linguagem e educação pela USP (Universidade de São Paulo) e professor do departamento de letras estrangeiras modernas da UEL (Universidade Estadual de Londrina). De acordo com ele, existe uma falsa imagem de que a língua espanhola é muito fácil de ser aprendida.

 

 

Além dessa ideia de ser um idioma de fácil entendimento que, supostamente, não exigiria formação especializada, Santos acredita que questões políticas e históricas também são obstáculos no ensino do espanhol no Brasil. “Ensinou-se o francês no país por muito tempo. Depois, foi decidido que o inglês era a língua prioritária e que o espanhol não seria necessário porque não tínhamos tanta relação cultural e econômica com os nossos vizinhos.”

A reforma do ensino médio – sancionada pelo presidente Michel Temer (MDB) no ano passado – agravou ainda mais o problema ao retirar a obrigatoriedade da oferta de espanhol no currículo escolar a partir de 2020, explica o professor. No modelo antigo, as instituições eram obrigadas a oferecer o ensino de espanhol para o aluno, que tinha a opção de incluir ou não a disciplina em sua grade.

Em nota enviada à revista Veja, o Ministério da Educação justificou a exclusão do espanhol e a manutenção do inglês por esta ser necessária “para inserção no mundo de trabalho, além da mais disseminada e a mais ensinada no mundo inteiro”, ao passo que a obrigatoriedade da oferta de espanhol “acarretava em aumento de custo para a escola”, já que a maioria dos alunos supostamente optava por estudar somente a língua inglesa.

Para Santos, a medida enfraquece a interação do Brasil com os países latino-americanos e traz ainda prejuízos econômicos.

 

 

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