Indígenas estreiam curtas-metragens no Cine Com-Tour

Texto: Vitor Dias

 

APUCARANINHA

Indígenas com câmeras na comunidade do Apucaraninha (Crédito: Copel)

 

No último sábado (15), um grupo de indígenas da aldeia de Apucaraninha, localizada a 80 quilômetros do centro de Londrina, estiveram no Cine Com-Tour para um evento pra lá de especial. Sete documentários roteirizados, filmados e editados pelo grupo estrearam num momento de conquista de espaço. “É um grande momento. A gente está bastante feliz. Espero que a comunidade, de Londrina e região, tenha entendido o que essa estreia representa. No meu entendimento, é um momento histórico”, afirmou em entrevista o coordenador do projeto, Luis Mioto.

Os curtas-metragens são a segunda experiência audiovisual do grupo do CMCK (Centro de Memória e Cultura Kaingang). A primeira saiu em 2016, com o longa “Eg In: Nossa casa”, que retrata a vida na comunidade. Nos primeiros anos, os índios tiveram que se adaptar aos equipamentos digitais: “eles não tinham email, redes sociais, alguns não pegavam no mouse direito. Assim que o projeto foi aprovado, comprei as câmeras e fui ensinando eles. Então eles começaram a filmar. Explicava o que era documentário, trouxe outras produções para eles assistirem. Expliquei o que era essa linguagem, porque eles nunca tinham ouvido falar de câmeras, programa de edição de vídeo, nada”, conta Mioto.

 

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Estreia dos sete curtas no Cine Com-Tour (Crédito: Vitor Dias)

 

Depois da primeira experiência e muita prática, o grupo caingangue agora lança os filmes que têm como temas a luta, a cestaria, a pescaria, as comidas, as memórias dos antigos, as músicas e os mutirões de trabalho que fazem parte do cotidiano da terra. Mioto conta que no começo do projeto ele e outros participantes não indígenas filmavam a comunidade, “mas nós não estávamos conseguindo atingir o grau de sensibilização que atingíamos em outros documentários. Estava muito superficial. Então, percebi que o projeto precisava ensinar os indígenas a se registrarem. Só eles poderiam acessar a intimidade da aldeia”.

Com a exibição, os indígenas da comunidade dialogaram com o público sobre os processos de produção, edição e escolha de temas dos curtas. As cenas dessas filmagens foram gravadas entre 2016 e 2018. O projeto é uma iniciativa do CMCK, com apoio da Copel (Companhia Paranaense de Energia), Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e Museu Histórico de Londrina.

 

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