A educação está na mira do governo Bolsonaro

Texto, foto, áudio e vídeo: Fernanda Tavela

 

O dia 15 de maio foi marcado pela paralisação nacional pela educação. O ato foi uma reação ao controle orçamentário de 30% nas verbas de custeio de universidades e institutos federais anunciado, em abril, pelo Ministério da Educação.

 

 

Em Londrina, o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) foram afetados pela medida. Na UTFPR, o contingenciamento se aproxima de R$ 43 milhões. Wesley Trevisan, servidor do campus de Londrina, explica que a redução no orçamento coloca em risco a qualidade do ensino ofertado. “Como o corte aconteceu da noite para o dia, não há planejamento de gestor que dê conta de minimizar o impacto. Como a universidade ainda está em expansão, isso vai impactar diretamente nas obras que vêm sendo construídas, nos laboratórios.” Segundo Trevisan, a estimativa é que, com o novo orçamento, a instituição tenha capacidade de operar até meados de setembro.

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi afetada pelo bloqueio de bolsas de pós-graduação mantidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ao todo, 28 bolsas foram recolhidas nos programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. De acordo com a diretora de pós-graduação da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PROPPG), Silvia Meletti, o recolhimento das cotas aconteceu sem aviso prévio. Silvia avalia um prejuízo futuro ainda maior.

 

 

O desenvolvimento de Londrina está diretamente ligado à universidade, principalmente nas áreas da economia e da prestação de serviços. Ainda assim, há um distanciamento entre a população e o campus, como aponta o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina (Sindiprol), Ronaldo Gaspar. “Muitas vezes, a universidade não se apresenta para o público como universidade, mas como serviço público. O sucateamento da universidade que aparece no Hospital Universitário, por exemplo, é visto pela população como sucateamento da saúde e não da educação pública.” Para Gaspar, a solução é articular os serviços prestados à comunidade como parte do complexo de educação e pesquisa da UEL. “Enquanto isso não for feito, seremos ainda mais penalizados”, conclui.

 

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Em Londrina, manifestantes se reuniram no Calçadão de manhã e no fim da tarde, seguindo em passeata até a Concha Acústica

 

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