Projeto incentiva meninas a cursar áreas de exatas

Texto, fotos e áudios: Ana Beatriz Pacheco

 

As meninas são minoria nas ciências exatas. Desigualdade de gênero, educação sexista e estereótipos na escola são os motivos citados no relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para essa desigualdade. Esses comportamentos têm repercussão no ensino superior. Somente 15% dos alunos dos cursos de ciência da computação e de engenharias são mulheres, segundo a SBC (Sociedade Brasileira de Computação).

Foi pensando nessa desigualdade que nasceu o Techninas, projeto de extensão da UEL (Universidade Estadual de Londrina). O nome é a junção de tecnologia e meninas. A iniciativa começou em dezembro do ano passado com coordenação das professoras do Departamento de Engenharia Elétrica Maria Bernadete Morais e Silvia Cervantes. São 19 monitoras de arquitetura e urbanismo, ciência da computação, engenharia elétrica e matemática; duas delas, colaboradoras externas já formadas.

 

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O Techninas é realizado aos sábados na Escola Estadual Dr. Olavo Garcia Ferreira da Silva

 

A professora Maria Bernadete Morais já participou de outro projeto, o Robolon, que oferece oficinas de robótica a estudantes de escolas públicas. Ao final de cada edição, é realizada a Mostra Robolon, em que os alunos apresentam projetos de robótica desenvolvidos durante o ano. Este foi o pontapé inicial para o Techninas.

 

 

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A professora Maria Bernadete Morais (foto) coordena o Techninas com a professora Silvia Cervantes

 

O grupo se reúne aos sábados à tarde na Escola Estadual Dr. Olavo Garcia Ferreira da Silva. Lá, recebe cerca de 20 meninas do ensino fundamental II. Os módulos são de matemática, lógica, programação, robótica e eletrônica. O objetivo é que as meninas realizem projetos para a Mostra Robolon, em novembro. Maria Bernadete Morais reforça que a representatividade importa.

 

 

Em reuniões semanais, as monitoras são treinadas pelas professoras. Os materiais são feitos pelas próprias alunas ou emprestados por Magna Pires, colaboradora do projeto e professora do Departamento de Matemática.

 

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As meninas aprendem a divisão com resto brincando com um jogo de tabuleiro

 

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Os materiais utilizados nas oficinas são feitos pelas monitoras ou emprestados pela UEL

 

Daniella Yuri Hasebe, estudante do segundo ano de engenharia elétrica, participou do Robolon quando aluna do ensino médio. “Ele me incentivou bastante a querer entrar para a engenharia. Conheci a parte elétrica e me apaixonei”, contou. Ela se tornou monitora do Techninas, porque quer inspirar as meninas. “Somos desestimuladas a vida toda. Mesmo na universidade, as pessoas não dão credibilidade ao que você faz por ser mulher. O Techninas aumenta a autoconfiança e as estimula a não desistir”, frisou.

 

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Daniella Yuri Hasebe (à direita) é monitora do projeto Techninas

 

Emily Leriano é uma das meninas que participa do Techninas. “Se não estivesse aqui, estaria na rua ou em casa fazendo nada. No projeto, estou aprendendo coisas novas.”

 

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Emily Leriano (centro), de 13 anos, é aluna da Escola Estadual Dr. Olavo Garcia Ferreira da Silva e participa do projeto

 

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