A música instrumental sob a ótica de quem a faz

Texto, fotos, GIF, áudio e vídeo: Victor Assis

 

 

Até pouco tempo atrás, a modalidade instrumental era vista como uma dimensão menos acessível da música. Reservada à erudição ou cumprindo seu papel de background para eventos sociais, a música instrumental vem ganhando espaço ao longo dos anos. Se, antes, o repertório instrumental logo remetia à tradição musical do país, voltado para o samba, a bossa nova e o choro, hoje o universo instrumental é mais amplo, explorando novas áreas musicais.

Representantes de tal mudança, a banda The Mullet Monster Mafia confirma o crescimento de grupos instrumentais com público consolidado. Completando uma década em 2019, o trio de surf rock coleciona seis registros, além de apresentações por todo o país e Europa. Já veterana, a banda considera o atual momento da música instrumental como o mais fértil dos últimos tempos: “Comparado há cinco anos, hoje tem bem mais bandas instrumentais. Acho que é o auge do instrumental no Brasil”, observa Ed Lopez, guitarrista do grupo. Eles citam a coletânea “Brazilian Tsunami” como um atestado do crescimento do estilo, com 63 bandas integrando o projeto: “Acho que não tem outro país no mundo que tenha 63 bandas de surf [music].”

 

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The Mullet Monster Mafia apresentando seu show na edição 2018 do Festival Demo Sul, em Londrina

 

Se, por um lado, cresce o número de bandas instrumentais, por outro alguns desafios surgem para quem está começando. Com todas as atenções voltadas aos instrumentos, uma das grandes necessidades dos músicos é a melhoria de suas ferramentas de trabalho. No entanto, o custo para se adquirir novos equipamentos é alto. De acordo com a Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), instrumentos musicais têm uma alta taxa de impostos, entre 36% e 48%. A dependência ao mercado externo contribui para o problema, já que 90% dos produtos musicais vendidos no país são importados, de acordo com a revista Exame.

Para Luciano Komirchuk, guitarrista da banda Céu de Vênus, a realidade da música instrumental no Brasil ainda é contrastante quando comparada à experiência de outros países. “No Brasil é bem complicado. Abrimos o show da [banda] Kalouv e pudemos conversar com eles, que contaram que estão há oito anos com o grupo e só agora conseguem se dedicar exclusivamente à música.” Nicolas Fish, que divide as guitarras com Komirchuk, comenta sobre a dificuldade do público em se identificar com a música instrumental.

 

 

A própria Céu de Vênus, no entanto, está para lançar seu disco de estreia e mostra a resiliência de um gênero que, aos poucos, encontra seu lugar no cenário nacional.

 

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