Sebos sobrevivem, apesar da crise no mercado livreiro

Texto, fotos, áudio e vídeo: Daniel Muniz

 

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A resistência dos sebos

 

Em abril deste ano, a consultora Nielsen Bookscan e o Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) publicaram uma pesquisa que revela uma queda na venda de livros, tanto em valor quanto em volume, no Brasil, no primeiro bimestre de 2019, se comparado ao mesmo período do ano anterior. Os dados fazem parte do 1º Painel de Vendas de Livros do país neste ano.

Em 2018, as duas maiores redes do segmento, Livraria Cultura e Saraiva, entraram com pedidos de recuperação judicial. O cenário alarmante, entretanto, não condiz com a realidade dos sebos e das pequenas livrarias de Londrina. Segundo Marcelo Basques, proprietário do Sebo Capricho, a crise apontada nos dados do Snel afeta as lojas maiores de outra maneira.

 

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Além da loja virtual, Sebo Capricho possui duas lojas em Londrina

 

“A realidade é um pouco diferente. Houve uma queda no mercado de livros, mas as editoras estão abrindo mais espaço aos pequenos livreiros. As nossas lojas sentiram a crise no comércio em geral, mas não tanto a do setor editorial. No começo deste ano, batemos um recorde de vendas de 20 anos”, afirma.

 

 

Sônia Maria Alves de Oliveira, gerente do Sebo Sol Nascente, corrobora com a tese de que as livrarias menores não foram tão afetadas pela crise do setor. “Na verdade, houve um aumento nas vendas. Talvez por conta dos preços mais acessíveis ou até por conta do fechamento de algumas livrarias, as pessoas passaram a procurar mais os sebos”, diz.

 

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Sebo Sol Nascente, loja física na região central de Londrina

 

A venda online, em plataformas como Estante Virtual, Mercado Livre e Amazon Marketplace, também ajuda os sebos a resistirem à crise brasileira. “Todos os dias, estamos atualizando nosso catálogo virtual. Vendemos mais online do que na loja física, mesmo concorrendo com milhares de livreiros. Não sobrevive neste mercado se não tiver uma loja virtual”, conta Sônia.

 

 

Algumas mudanças imediatas podem ser tomadas para que o mercado editorial supere a crise, aponta a gerente do Sebo Sol Nascente. “As grandes livrarias precisam repensar as políticas de preço, porque, quando há crise econômica, os livros são um dos primeiros itens a serem cortados do orçamento das pessoas. É necessário que o governo incentive e dê mais oportunidades à literatura, ao cinema, ao teatro e à cultura em geral.”

 

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Estantes cheias e aumento nas vendas em sebos, apesar da crise

 

“Há também uma questão de adaptação aos novos formatos de mídia. Então essa crise do mercado livreiro em geral será difícil de superar, mas não é a primeira e nem será última do setor”, declara Basques.

 

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