A arte de desenhar na pele: a origem da tatuagem

Texto, fotos, áudio e vídeo: Camila Alves

 

A tatuagem não é uma tendência recente. Vários estudos arqueológicos constataram que povos antigos já tinham o hábito da arte que marca a pele para sempre. No entanto, não existe apenas um significado sobre o porquê de as pessoas se tatuarem até hoje. Na Pré-história, os homens utilizavam a tatuagem como forma de contar uma história, registrar um símbolo e até mesmo carregar seu pertencimento a uma tribo. Carla Delgado é socióloga e estuda a antropologia visual. Ela avalia que, “nas sociedades ocidentais, a tatuagem passou, recentemente, por uma ressignificação, que teve a ver com um entendimento diferente das marcas no corpo, trazendo consigo a noção estética e menos carregada de simbolismos, mas ainda cercada de desentendimento e preconceito”.

Uma possível razão para o estranhamento é de ordem religiosa. “A tatuagem, para os maori do século 19 ou para os indígenas nambiquara, tinha a ver com linhagem, posição social e toda uma série de referenciais que marcam a pessoa, por meio de suas relações sociais dentro do grupo. Porém, para os cristãos, a marca no corpo sempre foi vista negativamente”, explica Carla.

Na Idade Média, marcas de nascença já foram interpretadas como sinais de bruxaria. A tatuagem – e o tabu que ela carrega – ultrapassou os séculos. Mesmo que o preconceito herdado da Antiguidade existisse, a tatuagem começou a se popularizar. Em 1960, surgiram novas técnicas e aparelhos mais precisos e menos dolorosos, além de mais estilos de desenhos e materiais antissépticos, que colocaram a tatuagem cada vez mais em voga.

Nathalia Veiga é tatuadora há três anos e atualmente trabalha no estúdio Inkers Club. Durante esse tempo de trabalho, ela já sofreu preconceito por ter várias tatuagens, mas hoje, graças à abstração, consegue não reparar nos olhares de julgamento das pessoas.

 

 

Vanessa Veber também é tatuadora no mesmo estúdio. Ela trabalha na área há dois anos. Suas influências, estilo próprio, preconceitos vividos, projetos pessoais e motivações para tatuar são diferentes dos de Nathalia. Ambas contam um pouco de suas experiências nesse ramo artístico.

 

 

Mesmo com toda a complexidade do tema, podemos chegar ao consenso de que tatuagens não definem ninguém e, mesmo transmitindo certa estranheza para alguns, cada vez mais o tabu tem sido quebrado.

 

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Nathalia e Vanessa enquanto tatuam no Inkers Club

 

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