70 casos de HIV são confirmados de janeiro a maio em Londrina

Texto, foto, áudio e vídeo: Tauana Marino

 

Segundo o Centro de Referência Dr. Bruno Piancastelli Filho, de Londrina, de 1° de janeiro até 23 de maio de 2019, 70 pessoas foram diagnosticadas com HIV, Vírus da Imunodeficiência Humana. O vírus, se não tratado, pode levar o paciente a desenvolver a Aids.  A doença ataca o sistema de defesa do corpo e, no ano passado, 13 pessoas morreram em Londrina – dez delas haviam recebido o diagnóstico no mesmo ano, segundo o Serviço de Vigilância Epidemiológica da 17ª Regional de Saúde. Em 2018, 157 pessoas descobriram a soropositividade para HIV.

A dentista do centro de referência, Lazara Regina de Rezende, afirma que a faixa etária predominante entre os novos casos é de 18 a 30 anos. “Hoje, com o teste rápido, fica muito mais fácil para fazer o diagnóstico. Tem mais informação e o teste evoluiu, o que tem favorecido para que mais pessoas sejam diagnosticadas. Outra questão é que as pessoas têm se infectado mais. Por ser uma faixa etária de jovens, não viveram no boom da doença na década de 1980. Não têm noção do risco que passam quando não usam preservativo.”

Wagner Ferrari descobriu que é soropositivo há dois anos. Segundo ele, quando recebeu o diagnóstico, teve muito medo, pois o conhecimento que tinha era do senso comum, de que morreria em breve.

 

 

Ferrari fala que, apesar da importância de se discutir sobre HIV e Aids, falar que o vírus não é tão ruim pode incentivar as pessoas a não usar camisinha. “Tem uma linha muito tênue, porque precisam saber que o HIV não é como nos anos 80, mas que é importante se proteger.”

Lazara reforça que muitos pacientes, com medo de sofrer preconceito, não contam nem para os familiares sobre o vírus.

 

 

“Não tive tanto medo de sofrer preconceito. Tinha medo de morrer, pensava que meus dias estavam contados. Sou homossexual, então já tenho medo de andar na rua e apanhar. Não mudou muito depois que descobri que era soropositivo”, ressalta Ferrari.

O tratamento é feito por antirretrovirais distribuídos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O teste feito no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) também é gratuito e o resultado sai em 20 minutos. O HIV pode ser transmitido por relações sexuais sem preservativo; pelo sangue por meio de seringas; e da mãe para o feto, durante a gestação, o parto ou a amamentação.  “Usar camisinha é uma forma de amor conosco mesmo”, conclui Lazara.

 

foto 1 Tauana Marino

O SUS distribui gratuitamente preservativos

 

O teste de HIV pode ser feito de segunda a quinta-feira, das 7h às 13h, no Centro de Testagem e Aconselhamento, na rua Alameda Manoel Ribas, n°1, no centro do Londrina.

 

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