MMS, fraude perigosa vendida como remédio

Texto, foto e áudio: Leonardo Andrade

 

Cresce no Brasil a popularidade de um suposto remédio alternativo cujos proponentes afirmam ser capaz de curar o autismo. O nome pelo qual esse composto é conhecido é MMS (Miracle Mineral Solution ou Miracle Mineral Supplement). Este nome esconde um fato que, por si só, deveria bastar para que ninguém em sã consciência o ingerisse: MMS é ClO2 (dióxido de cloro), um alvejante industrial usado para, entre outras coisas, branquear madeira.

O que se vende como kit MMS inclui um frasco com a solução de ClO2 e outro com ácido muriático (HCl, um ácido forte). É possível adquirir o kit na internet em comunidades fechadas e até em certas farmácias de manipulação, sem receita e contrariando uma determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que proibiu e criminalizou a distribuição do MMS. Os preços são relativamente baixos e é possível obter o kit por R$ 50, por exemplo. O uso da solução, no entanto, é altamente prejudicial. Rossana A. Graciano, gastroenterologista no Hospital Evangélico de Londrina, ficou horrorizada quando ouviu falar no uso de MMS pela primeira vez. Ela explica em detalhes o quão devastador ele pode ser para o organismo.

 

 

Uma tendência observada são os enemas de MMS buscando curar o autismo em crianças. Estas crianças se recusam a beber o alvejante industrial devido ao cheiro e ao gosto muito fortes e, por isso, acabam sendo submetidas à ministração anal. Daí vem a descamação da mucosa intestinal à qual Rossana se refere. Infelizmente, há uma mentira circulando na internet (iniciada e promovida pela estadunidense Kerri Rivera), segundo a qual os filamentos de mucosa expelidos são, na verdade, parasitas, o que indica que o suposto tratamento está funcionando. A afirmação é flagrantemente incorreta, atribuindo as desordens do espectro autista a uma parasitose imaginária.

O autismo, na verdade, é de origem genética e está ligado a mais de cem genes, segundo os estudos mais recentes, explica Efigênio S. Castro. Ele é neurologista, especialista no atendimento a crianças autistas. No vídeo abaixo, Castro explica um pouco da história do autismo e como tratá-lo corretamente.

 

(Crédito: Leonardo Andrade)

 

O MMS também é promovido como cura para outras doenças. Em 2012, foram produzidos estudos fraudulentos visando comprovar sua eficácia contra a malária, em Uganda. O youtuber cético Myles Power tem uma série de vídeos (em inglês) bem completa sobre o tema, para quem quiser mais informações.

 

(Crédito: Myles Power)

 

LEIA MAIS

Violência obstétrica é um termo inadequado?

UEL oferece meditação gratuita no campus

Londrina registra seis mortes por dengue neste ano

É urgente o diálogo sobre sofrimento psíquico nas universidades

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s