Arquitetura londrinense: cada vez mais hostil

Texto, fotos, áudios e vídeo: Leonardo Gravena

 

Foto 1 Probido Sentar

Não sentar

 

Quem anda no centro de Londrina, caso não esteja no Calçadão, pode acabar tendo certa dificuldade para encontrar um local no qual possa se sentar e olhar seus pertences, ajustar o calçado ou simplesmente descansar. A falta de bancos nas ruas da cidade pode até não ser um grande problema, porém, quando fachadas de lojas se tornam cada vez mais estreitas ou pinos de ferro são utilizados em muretas para impedir que as pessoas se sentem, o problema fica claro.

Pessoas ao redor do globo notam um movimento que é cada vez mais comum nos grandes centros urbanos: a arquitetura hostil, também chamada de design hostil ou design defensivo. O termo se refere a implementações feitas nas cidades para criar um ambiente que afaste os moradores de rua e os sem-teto para que eles não durmam ou permaneçam nesses locais. É uma daquelas coisas que, quando você nota pela primeira vez, começa a ver em todos os locais.

 

 

O desenvolvimento de mecanismos cujo objetivo é afastar pessoas em situação de vulnerabilidade, como moradores de rua, não é algo novo, porém agora existe um maior reconhecimento das implicações desse tipo de tendência. A arquiteta Ana Letícia Gonçalves explica como a arquitetura hostil acaba afetando a população.

 

 

Mais cidades estão se utilizando dessas táticas para afastar os sem-teto. Londrina não chega a ter um design hostil grande como Curitiba, São Paulo e outras capitais, porém, aos poucos, é possível notar essas implementações na cidade.

Bancos divididos são cada vez mais usados na criação de locais públicos. Em abril de 2015, começaram a ser implementados bancos em pontos de ônibus com divisórias em Londrina. O design não apenas pode ser desconfortável para as pessoas que utilizam o serviço, como também serve para que moradores de rua não durmam ou se deitem nesses locais. Os bancos divididos também fazem com que muitos fiquem em pé durante a espera, já que normalmente apenas uma pessoa fica em cada uma das divisórias.

 

 

Foto 2 Ponto

Mesmo grandes, os bancos com divisórias fazem com que apenas uma pessoa se sente em cada divisão

 

Ana Letícia também explica que boa parte dessas alterações não é feita por arquitetos, mesmo que o nome do movimento seja arquitetura hostil. “Um arquiteto que faz esse tipo de ação não está cumprindo com sua função. Tenho por experiência que é a pessoa por particular que acaba fazendo a utilização desses elementos. Tem um termo na arquitetura que diz ‘não no meu jardim’”, que, segundo ela, refere-se a pessoas que não querem estranhos ou moradores de rua na frente de suas lojas e casas.

 

Foto 3 Pinos

Pinos de ferro em muretas impedem que as pessoas se sentem

 

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