Tempo: qual é o preço da pressa na nossa rotina?

Texto, GIF, áudio e vídeo: Paula Zambrim

 

“Ai, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!” As palavras são do personagem Coelho Branco em “Alice no País das Maravilhas”, obra consagrada de Lewis Carroll. Apesar da história datar de 1865, essa frase poderia ser de autoria de qualquer pessoa em 2019.

Acordar com a sensação de estar atrasado – ainda que o relógio mostre que há tempo suficiente para chegar ao trabalho -, sentir que não há tempo o bastante para realizar os desejos de uma vida inteira e ter a impressão de estar perdendo algo importante constantemente são algumas características comuns da vida moderna. Ansiedade do quê? Pressa para quê? O acúmulo de milhares de atividades cotidianas exige que o passo da vida contemporânea seja apressado. Essa rapidez generalizada já não é mais mera impressão psicológica – podemos falar na velocidade como um fenômeno social observável.

Rodolfo Rorato Londero é comunicador e pesquisador na área de processos sociais contemporâneos. Seus estudos – desde a graduação até o doutorado – se debruçaram sobre o tema cyberpunk, isto é, um subgênero de ficção futurista que tende a relacionar o avanço tecnológico com uma mudança drástica na ordem social. Para Londero, a atual experiência apressada do tempo tem profundas relações com o avanço da tecnologia.

 

 

Causas

A relação agitada do homem com o tempo teve suas raízes prováveis na Revolução Industrial, em que as máquinas passaram a ser incorporadas nas rotinas de trabalho humano. As atividades cotidianas passaram a ser otimizadas. Entre as principais capacidades que o homem conseguiu aprimorar está o deslocamento: os cavalos foram sendo substituídos por motores, permitindo uma locomoção cada vez mais rápida.

 

GIF

Para a geração atual, quanto mais rápido, melhor!

 

Desde então, a tecnologia oferece cada vez mais velocidade, principalmente em relação ao consumo. Em nome de deixar todos os processos mais fáceis, a tecnologia gera uma demanda pela velocidade, que incentiva o desenvolvimento de novas tecnologias que, consequentemente, precisam também ser mais rápidas, criando assim um ciclo eterno e inflexível.

 

Efeitos

O resultado desse desejo por ganhar mais tempo tem o efeito contrário: acaba provocando a sensação de perdê-lo. Então a pressa, a ansiedade e a sensação de nunca conseguir fazer tudo entram em cena.

O psicólogo clínico Gabriel Cândido Paiva observa que esse suposto afastamento do ritmo natural do homem e a aproximação com a velocidade das máquinas são possíveis razões desse descompasso, que causa a impressão de que o tempo está passando rápido demais.

 

 

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