Revista História da Mulher Londrinense é lançada nesta sexta

Texto, foto e áudios: Aline Schmidt

 

Segundo o Censo Demográfico de 2010, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 3,4% das pessoas de Londrina são negras. Historicamente, esta comunidade é ignorada pela sociedade, tendo várias histórias e personagens apagados. Maria Helena de Oliveira Morais é uma dessas pessoas. Residente em Londrina desde 1958, ela batalhou como doméstica e cantora amadora durante muitos anos.

Da sua experiência e de várias outras pessoas que conheceu, Maria Helena e seu filho Aldo Morais começaram, em agosto de 2018, a resgatar as histórias apagadas de sua comunidade. Este trabalho rendeu 40 autobiografias de mulheres negras londrinenses entre 23 e 90 anos, que ajudaram no desenvolvimento social, cultural e comunitário da cidade, e por meio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) foram publicadas em forma de revista. “Eu espero que as pessoas que peguem essa revista, guardem para as futuras gerações, pois a publicação representa a nossa história”, diz Maria Helena.

Segundo o jornalista Aldo Morais, a ideia da publicação surgiu porque sua mãe vinha refletindo sobre a própria vida e escrevendo suas memórias. “Ela nasceu em Ourinhos, veio para Londrina durante a época do café. Por aqui se casou, teve filhos e ficou viúva”, conta Aldo.

 

 

Para encontrar as mulheres participantes da iniciativa, o projeto buscou informações dentro das comunidades e com estudiosos. Eles contaram com o apoio do Neab-UEL (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Estadual de Londrina), do movimento negro e da Assessoria Especial para a Igualdade Racial da Prefeitura de Londrina. Outra forma foi a virtual, por meio do Facebook do projeto.

Fernanda Alves é uma das mulheres retratadas na publicação. Ela nasceu em Londrina e mora no Jardim Califórnia desde a infância. Hoje, ela é formada em direito e comunicação social e trabalha na área de assessoria de comunicação. Ela foi convidada a participar do projeto e decidiu escrever sua história, pois acredita que, dessa forma, ela possa inspirar futuras gerações de sua comunidade.

 

 

Foto 2

Capa da revista feita pelo artista plástico londrinense Carão

 

A revista será lançada nesta sexta-feira (14), no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, localizado na rua São Salvador, 998. A revista foi distribuída para as participantes e posteriormente poderá ser encontrada gratuitamente nas vilas culturais, na Biblioteca Municipal, nos grandes colégios municipais da cidade e na Secretária Municipal de Cultura.

 

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