Especial: As representações de um povo invisibilizado

Por Caroline Knup Tonzar, Gabriel Silveira, Hiury Pereira e Isabela Buriola

 

A cultura é tudo aquilo que é transmitido de uma geração para outra. Modos de viver, costumes, hábitos alimentares e modos de se vestir são alguns exemplos de elementos culturais que estão presentes em todas as sociedades do mundo.

Com as populações indígenas, não é diferente. É sabido que, desde a colonização do país, datada de 1500, os indígenas sofrem com dois processos: o de invisibilização do povo e o de extermínio de sua cultura.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que, em 2010, existiam aproximadamente 305 etnias indígenas que falam, em média, 180 idiomas diferentes. Os indígenas Guaranis, que têm a linguagem derivada do Tupi, estão presentes em vários estados do Brasil, como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará. De acordo com o Mapa Guarani Continental de 2016, só no Brasil existem 85.255 indígenas da etnia Guarani.

A maioria dos aspectos culturais dos indígenas tem base nos rituais, especialmente os religiosos. Entretanto, isto não é uma regra, já que as culturas são muito diversas. De acordo com Nhambiquara, Benutti e Dalglish, autoras da pesquisa “Grafismo Indígena Guarani; do mítico a análise formal”, os indígenas são preparados espiritual e esteticamente para cada ritual que existe na aldeia. Nestas celebrações, o grafismo tem papel essencial. Cada pintura deve ser feita com o espírito e com o conhecimento sobre as tradições e a cultura.

Cada símbolo de cada desenho tem um significado. Davi Martins, indígena do subgrupo Guarani Mbya, diz que os Guaranis sempre produzem desenhos com traços em forma de “X”, isso porque respeitam a tradição de acreditar na ligação direta com a constelação Cruzeiro do Sul.

Outro exemplo de grafismo que pode ser citado são as gravuras desenhadas nos arcos de caça dos guerreiros indígenas. Os povos acreditam que, ao desenhar ou simbolizar o animal no instrumento de caça, o indígena está respeitando-o. Além disso, os guerreiros creem que adquirem a força e a coragem do animal que foi caçado.

Na oficina “Design para Sustentabilidade Cultural”, professores e estudantes indígenas e não-indígenas se reuniram na UEL (Universidade Estadual de Londrina) para desenhar e discutir os significados dos traços e formas. A ideia era promover o autoconhecimento étnico e expressar sentidos de identidade por meio de grafismos. Os desenhos vão ser usados na identidade visual das autobiografias étnico-comunitárias dos estudantes indígenas, que serão gravadas em vídeo.

 

Foto - 1

A estudante Anah Ortiz, da tribo Guarani, apresenta o grafismo produzido que, segundo ela, simboliza toda a força da mulher indígena

 

Reginal Luís, da etnia Guarani, participou da oficina e afirmou que o grafismo é, além de uma marca cultural e singular de cada tribo, uma forma de resistência.

 

 

Lucas Ribeiro é jornalista, mestrando em Comunicação e monitor da oficina de cocriação dos grafismos indígenas. Ele conta que o projeto é importante porque faz os estudantes indígenas refletirem e valorizaram ainda mais os aspectos culturais de suas etnias.

 

 

Ao final da oficina, todos os estudantes indígenas, Guaranis e Kaingangs, expuseram suas criações com grafismos e explicaram o significado de cada elemento que compunha o desenho.

 

Foto - 2

Reginal apresenta os grafismos que produziu durante a oficina; um dos desenhos simboliza o ritual para ter fartura na pesca

 

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