Rosane Araujo: arte e salvação coladas na cidade

Texto, fotos, áudios e vídeos: Natália Perezin

 

“A arte para mim é vida, é cura, ela é salvação. A arte é ponte, é alegria, motivação.” É assim que Rosane Araujo descreve o seu amor pela arte. Com a ajuda de uma torquês, uma riscadeira e azulejos – a maioria encontrada no lixo -,  ela aplica mosaicos por toda a cidade de Londrina: postes, muros, escadarias, mesas e bancos, nas mais diversas regiões.

Ela trabalha com esse tipo de arte desde 2011, mas apenas há pouco tempo assina seus trabalhos. A maioria de suas obras retrata mulheres, flores e animais, todos coloridos. Rosane acredita que, ao colocar seu trabalho na rua, ele não é mais dela, mas de qualquer um que o vê. Ela fala de como a arte é uma via de mão dupla e nunca está sozinha, porque,  ao mesmo tempo que faz os trabalhos e eles a alegram, eles podem ser motivo de alegria para outras pessoas. Esta afirmação está presente em todos os detalhes do processo criativo e produtivo da artista. Um dia, viu na televisão que a altura média das mulheres brasileiras é 1,60 m e, por isso, tenta aplicar seus mosaicos a essa medida de distância do chão, pensando nelas; quando as peças ficam em lugares mais baixos, ela prefere colar desenhos que possam agradar as crianças, porque estão mais próximos a elas.

“Tudo que eu faço é por ela [arte]. Ela é uma pessoa pra mim.  Faço arte pensando nela e quando alguém elogia, penso: ‘é pra você, arte, esse elogio’. Porque eu apenas sou um instrumento da arte. Uso a arte para me fazer feliz e fazer as pessoas felizes”.

 

foto 1

Rosane e suas flores, próximas ao aterro do lago Igapó

 

Rosane começou seus trabalhos na Vila Portuguesa, no centro de Londrina. Um dos maiores desejos ao ir para lá foi mudar a realidade das pessoas da comunidade. Ela conta sobre sua relação com o bairro e a superação do preconceito que as pessoas tinham com sua arte.

 

 

“A arte para mim é alimentadora”, diz Rosane ao lembrar de como seu processo criativo funciona. Em sua casa, ela começa um desenho, mas não termina. Durante o dia, toda vez que passa por ele, desenha um pouco mais. “Faço tudo correndo na casa para poder fazer arte”, afirma.

 

 

Uma perda na vida de Rosane foi significativa para ela: em 2016, sua nora faleceu. Isso despertou nela a vontade de se dedicar mais ainda à arte. Segundo ela, a lógica seria que a morte chegasse antes a ela ou a sua mãe, e não à nora, que era mais jovem. Apesar da tristeza, isso representou um incentivo para não parar de fazer o que ama.

 

 

A casa onde hoje mora é alugada e Rosane fez questão de deixar sua marca por lá. O lugar abriga não só ela, mas seus dois gatos, cachorro e toda a matéria-prima dos mosaicos. Sua intenção é ir mudando de casa e espalhar o máximo de sua arte que puder.

 

 

Aos 66 anos, Rosane não pretende parar de fazer sua arte. “Tenho planos de fazer arte enquanto tiver condições de fazer. Enquanto tiver condições físicas, vou ser artista”, diz. Ela faz questão de se relacionar com os mosaicos e que os mosaicos se relacionem com todos que os virem: “Quero que minha arte agrade todo mundo. Trabalho pra ela.  Sou funcionária da arte”.

 

foto 2

Rosane: “Acho a vida bastante pesada, a minha arte é uma forma de fazer algo pelos outros”

 

LEIA MAIS

Wilson Silva: conheça sua vida de alegria, superação e trabalho árduo

Walter Ney: um homem de muitos talentos

Estela Fuzii: a trajetória da primeira nissei nascida em Londrina

Conheça R., a mulher que sabe o que é o amor

Abdou Faisol Bello: da África para Londrina por causa de um sonho

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s